Taxonomia, características e alimentação
A
Picança é uma ave com cerca de 14 centímetros de comprimento. No
macho, o alto da cabeça é da cor preta, mas na fêmea é vermelha,
cor de ferrugem. As cores das aves novas são praticamente iguais às
das fêmeas. O seu canto, muito melodioso, sobressai por entre as
moitas e o mato. Durante a primavera a dieta da Picança é
essencialmente
insectívora. No outono e no inverno alimenta-se principalmente de
frutos e bagas.
Biologia da reprodução
Em relação a Portugal pouco se encontra documentado sobre
a nidificação desta espécie. A única coisa que se sabe é que, por
cá, nidifica a subespécie Sylvia atricapilla heineken,
enquanto a subespécie nominal, Sylvia atricapilla
atricapilla, ocorre como migradora de passagem e invernante.
No entanto, estudos noutros países Europeus permitem concluir que o
ninho é
construído de pequenas hastes secas, a baixa altura, por entre
moitas ou no meio de urtigas. É tão efémero que, semanas depois de
os filhotes o terem abandonado, já não existe. Podem efetuar duas
posturas
em cada primavera, com cerca de 5 ovos cada, e são os dois membros
do casal que os chocam durante cerca de 12 dias, embora a fêmea o
faça com mais assiduidade, em especial durante a noite.
Esta ave é extremamente sensível a quaisquer perturbações, quando se
encontra no ninho. As crias nascem completamente despidas e cegas,
com as suas goelas vermelhas, cor de sangue. No ninho são muito
silenciosos e, quando muito, apoiam os seus pedidos de comida com
pequenos murmúrios. Ao fim de 12 a 14 dias de idade abandonam o
ninho, mesmo ainda antes de saberem voar, escondendo-se, uma a uma,
entre as moitas, onde continuam a ser alimentadas pelos pais.
Movimentos e fenologia
Presume-se que a maior
parte da população nidificante seja residente, embora existam locais
de nidificação que são parcialmente abandonados no inverno.
Os primeiros migradores de passagem surgem em finais de setembro e
início de outubro, havendo depois um fluxo muito grande destas aves
durante o mês de novembro. A maioria destes invernantes permanece
em Portugal até finais de março. A recaptura de aves anilhadas no
estrangeiro indica que invernam ou passam por Portugal aves
provenientes da Europa Central e Ocidental, desde o Reino Unido,
França,
Suíça e Polónia. Para além das populações residentes e invernantes,
passam também pelo país migradores Europeus de longa distância para
invernarem em Marrocos e África subsariana